Coloquei silicone, em quanto tempo posso treinar?
Essa é uma das perguntas que mais recebo de alunas em consulta após mamoplastia de aumento ou troca de prótese. A resposta honesta é: depende do tipo de cirurgia, da técnica, da sua cicatrização individual, e principalmente do que seu cirurgião plástico orientar. Mas existe um roteiro geral que vale conhecer pra entender o porquê dos prazos.
Por que existe espera
A inserção de prótese mamária envolve abertura de tecidos, criação de uma “loja” cirúrgica (espaço onde a prótese fica alojada), suturas internas e externas. Dependendo da técnica, a prótese fica acima do músculo peitoral (subglandular) ou abaixo (submuscular).
O tempo de espera pra retomar atividades existe pra:
- Permitir cicatrização adequada das suturas internas, que sustentam a prótese no lugar
- Evitar deslocamento da prótese antes da formação da cápsula fibrosa natural que envolve o implante
- Reduzir risco de hematoma e seroma, que pioram com esforço físico precoce
- Permitir adaptação do tecido muscular em casos de prótese submuscular
- Diminuir desconforto e dor, que limitam amplitude e técnica nos exercícios
Roteiro geral por tipo de movimento
Importante: os prazos abaixo são referências comuns na literatura cirúrgica brasileira e prática clínica. Seu cirurgião pode prescrever diferente baseado no seu caso específico. Sempre siga a orientação dele.
Caminhada leve
Geralmente liberada após 7 a 14 dias. Caminhar dentro de casa nos primeiros dias, e depois ao ar livre em ritmo confortável. Não substitui treino, mas mantém circulação ativa e ajuda na recuperação.
Cardio leve (bike ergométrica, esteira em ritmo confortável)
Tipicamente liberado entre 4 e 6 semanas. Sem impacto, sem usar muito os braços. Bike ergométrica é a opção mais segura inicialmente.
Treino de pernas (sem envolver tronco)
Costuma ser liberado entre 3 e 6 semanas. Agachamento, leg press, cadeira extensora, mesa flexora. O cuidado é não fazer apneia (segurar respiração) que aumenta pressão intratorácica e pode comprometer cicatrização.
Treino de peito (supino, crucifixo, peck deck)
Esse é o mais cauteloso. Geralmente liberado entre 8 e 12 semanas, e em casos de prótese submuscular pode ser ainda mais tardio. Começar com cargas leves e progredir lentamente.
Treino de costas e ombros (puxada, remada, desenvolvimento)
Geralmente liberado entre 6 e 8 semanas. Cuidado com amplitude excessiva nos primeiros treinos.
Cardio de alto impacto (corrida, HIIT, dança)
Costuma ser liberado entre 8 e 12 semanas, com uso obrigatório de top de sustentação adequada.
Esportes de impacto e contato
Liberados normalmente após 12 semanas, alguns cirurgiões esperam 4 a 6 meses para esportes de contato (luta, vôlei, basquete).
Esses são prazos médios de literatura. Cirurgiões plásticos competentes prescrevem caso a caso considerando técnica, posição da prótese, sua cicatrização e atividade desejada. A orientação dele sempre prevalece.
Sinais que indicam parar o treino e procurar avaliação
Se durante a retomada gradual de treino aparecer:
- Dor aguda nas mamas ou na cicatriz
- Inchaço assimétrico (uma mama mais inchada que a outra)
- Calor local, vermelhidão intensa, secreção
- Mudança de posicionamento da prótese
- Sangramento da cicatriz após esforço
- Febre nos dias seguintes ao treino
Esses sinais merecem avaliação imediata do cirurgião plástico, não ajuste de carga.
Como estruturo o retorno com alunas
Quando aluna passa por mamoplastia, o trabalho é em três fases:
- Fase pré-operatória (1 a 2 meses antes): aumentar massa muscular onde possível, melhorar postura, fortalecer dorsais e core. Quanto melhor a base, melhor a recuperação.
- Fase de espera (até liberação médica): mobilidade leve apenas se autorizada, caminhadas, foco em sono, alimentação rica em proteína para apoiar cicatrização.
- Fase de retomada gradual: começar com pernas, evoluir para costas e ombros, e por último peitoral. Cargas conservadoras nas primeiras 4 a 6 semanas pós-liberação. Acompanhamento próximo da resposta do corpo.
Apressar o retorno pode comprometer o resultado da cirurgia que você acabou de fazer. Esperar o tempo certo é proteger o investimento estético e financeiro.
Top de sustentação: subestimado e essencial
Especialmente no retorno e por toda vida pós-prótese, top de qualidade adequada não é detalhe. Mama com prótese tem peso ligeiramente maior e estrutura interna alterada. Sustentação inadequada acelera flacidez de tecido cutâneo, aumenta desconforto e pode contribuir para deslocamento da prótese ao longo do tempo.
Para treinos de impacto, top de alta sustentação. Para treinos de força sem impacto, top moderado mas com ajuste firme. Vale o investimento em peças boas.
Na maioria das mulheres, com retorno bem planejado e respeito aos prazos, o treino volta normal entre 3 e 4 meses, sem prejuízo nem ao resultado estético nem à performance. A pressa nos primeiros 60 dias é o que mais costuma comprometer o resultado a longo prazo.
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